Comandos e Controles Lógicos

I. Introdução à mecatrônica

Até a metade do século XX, a maioria dos sistemas ou eram mecânicos ou eram eletrônicos: vejam como exemplos, os veículos automotores, rádios, televisões etc. Com o avanço da teoria de controle e das técnicas de projeto tanto de mecanismos mecânicos quanto de dispositivos eletrônicos, surge uma integração destas duas áreas da engenharia. É necessário destinguir estes projetos que integram mecânica, eletrônica e informática, dos projetos de dispositivos eletromecânicos como motores, sensores ou atuadores. Estes últimos, na maioria dos casos, são projetos de sistemas para conversão de energia, seja elétrica para mecânica, seja mecânica para elétrica. Não que eles apresentem qualquer tipo de demérito, mas porque eles são claramente diferentes de robots, sistemas aviônicos, ...

No projeto de sistemas podemos adotar duas abordagens diferentes.

  1. O comando do sistema atua sobre o sistema sem realimentação das suas variáveis de estado: sistema não realimentado.
  2. O comando do sistema atua sobre o sistema assim como o estado de algumas de suas variáveis de estado: sistema realimentado.

Geralmente, os projetos de mecatrônica estarão agindo nos sistemas realimentados. Um projeto mecânico simples como um sistema de transferência de liquidos pode ter um controle realimentado puramente mecânico como uma bóia acionando um comando de válvulas. Se a precisão e a velocidade do sistema for satisfatória, este sistema é uma solução ótima. Mas num sistema em que pequenas variações podem causar grandes mudanças muita rápidas, nenhum sistema puramente mecânico poderá resolver o problema, nesses casos, o processamento pode ser feito eletronicamente aproveitando a velocidade dos elétrons e das ondas eletromagnéticas. Outra situação importante para se usar uma solução mecatrônica surge quando o função de controle é muito complexa para ser realizada por meios puramente mecânicos ou mesmo eletrônicos, neste caso, o processamento de como os atuadores devem ser acionados para se obter uma determinada resposta devem ser feitos por computadores.

Definição de mecatrônica dada pelo prof. M.M. Polonskii:

Mecatrônica é uma tecnologia de projeto que, à base de níveis modernos de microeletrônica, eletrônica de potência, motores, mecânica de alta precisão e informática, nos dá a possibilidade de executar os projetos, os sistemas eletromecânicos, que são controlados por computador, satisfazendo determinadas condições e com custos mínimos.

Problema: como dividir todas as funções do sistema entre as partes da mecânica, da eletrônica e da informática?

Princípios óbvios para o projeto de sistemas de mecatrônica:

  1. minimizar o número de eixos; não usar, se possível, redutores e acoplamentos
  2. usar sensores multifuncionais
  3. usar sensores com saídas digitais que podem ser ligados ao computador sem transformação adicional da informação
  4. usar diretamente o controle digital por computador


Exemplo de Uso de eletrônica com mecânica num projeto.


II. Sensores

Veja também a página de medidores.

Para se poder automatizar um sistema de produção é necessário coletar informações sobre o estado dos equipamentos, das peças, etc. Esta informação deve ser fornecida de alguma maneira para o computador digital. Para tanto duas fases são necessárias: primeiro, a coleta da informação através de sensores que convertam a informação de estado para um sinal elétrico, e segundo, a conversão do sinal elétrico para um sinal digital compreensível pelos programas manipuladores da informação.

Nesta parte do curso vamos apresentar alguns dos principais sensores usados para a automação de sistemas industriais.

O princípio de funcionamento de um sensor é relativamente simples: o valor de estado de uma grandeza deve ser quantificado por alguma grandeza física, intensidade de luz, calor, som ou posição, força, pressão ou velocidade. Uma variação da grandeza física provoca no sensor uma variação do seu sinal elétrico de saída. Assim, deve-se classificar os sensores segundo:

1. Sensores de temperatura

2. Sensores de presença


Sensor ótico de barreira

3. Sensores de Posição

De uma forma geral, os sensores de posição também podem ser usados como sensores de presença, embora o contrário seja falso.


Encoder usando código binário e código de Gray


Encoder incremental, observe-se os dois sensores deslocados de modo a gerar pulsos defasados de 90º e o sensor de referência.

4. Sensores de Força

5. Sensores de Velocidade

6. Sensores de Luz

7. Sensores de Pressão

8. Sensores de Som

9. Acelerômetro

Raramente, num sistema de automação industrial ou num robô será necessário o uso de acelerômetros, mas se eles forem necessários as alternativas são:

10. Sensores de gases

Eles podem ser necessários em automação industrial onde gases tóxicos ou explosivos podem ser libberados e precisam ser controlados. Geralmente, eles dependem do tipo de gás e usa-se algum material (substância) que reaja com o gás e mede-se a reação.


III. Atuadores

Atuadores são dispositivos que transformam um determinado tipo de energia num outro tipo diferente. São usados em automação para entregar à planta a excitação necessária para seu funcionamento, na forma do tupo de energia adequado. Se o funcionamento da planta estiver baseado em algum movimento de um de suas partes, serão necessários atuadores para fornecer energia mecânica para o movimento. Se a planta for um sistema térmico, será necessário um atuador que forneça energia térmica para atingir um temperatura desejada.

Os atuadores se dividem em atuadores 1) hidráulicos, 2) pneumáticos ou 3) elétricos. Os hidráulicos se caracterizam por terem como fonte de energia um líquido que se desloca por um duto com uma pressão adequada. O líquido é geralmente óleo ou água. O pneumático têm como fonte de energia um gás pressurizado, geralmente ar comprimido. Os atuadores elétricos usam energia elétrica.

1. Motores elétricos

Os motores elétricos são dispositivos que transformam energia elétrica em energia mecânica. Essa energia mecânica é desenvolvida através da rotação de um eixo que gira com uma determinada velocidade e torque.

Existem diferentes tipos de motores elétricos: motores CA, motores CC e motores de passo. Os de corrente alternada são os menos usados na robótica por serem relativamente grandes e pela dificuldade de se fazer um controle de velocidade e torque eficiente. Porém, em aplicações industriais, que exigem torque elevado, motores trifásicos de corrente alternada são freqüentemente utilizados.

Os motores de corrente contínua têm um par de terminais que devem ser ligados a uma fonte de alimentação, a polaridade da fonte determina o sentido de rotação do eixo do motor. Seu movimento é, geralmente, suave e contínuo e, com uma redução mecânica apropriada, podem desenvolver torques elevados em volumes reduzidos. As principais desvantagens consistem na dificuldade para o controlador conhecer a posição exata do eixo e a velocidade de rotação que depende fortemente da carga. Assim, não é possível controlar estes motores em malha aberta, geralmente, o controle se faz em malha fechada com sensores de posição e/ou velocidade.

Os motores de passo têm seu funcionamento baseado na alimentação caracterizada por uma seqüência de pulsos elétricos. A cada pulso da seqüência, o eixo gira um ângulo fixomuito preciso. Dessa maneira, o controlador pode conhecer exatamente a posição do eixo sem a necessidade de um sensor. Ao controlar o tempo entre um pulso e o seguinte, o controlador pode controlar a velocidade de giro do motor sem o uso de tacômetros. A relação entre o torque e o volume do motor, quando está em movimento, é menor do que a dos motores CC, mas têm a vantagem que quando estão parados numa determinada posição, eles detêm um alto torque de retenção que impede seu movimento.

Grandezas físicas básicas: potência, torque e velocidade.

Clique aqui para uma outra página sobre motores elétricos.

1.1 Motores CC: Pricípio de funcionamento

Os motores de corrente contínua são compostos de duas partes básicas. A primeira é fixa (sem movimento), chamada de estator, destinada a produzir um campo magnético constante. Seja com um eletroimã ou com um imã permanente. A segunda parte é rotatória, chamada de rotor ou armadura, tem um enrolamento (bobina) através do qual circula a corrente elétrica contínua.

Motor elétrico
Princípio de funcionamento do motor elétrico CC.

1.2 Diferentes tipos de motores CC
Motor série
A bobina do estator e da armadura estão ligados em série.

Este tipo de motor se caracteriza por girar muito lentamente quando deve movimentar uma carga grande e girar muito rápido no vazio.

Motor CC série

Motor Paralelo

Motor CC paralelo

Observe que um aumento de carga não provoca uma redução grande na velocidade. Esta característica o torna ideal para aplicações em máquina ferramenta. Para mudar a velocidade deste tipo de motor é necessário mudar a tensão de entrada, o que muda a potência aplicada.

Motores compostos (compound)

Motor CC composto

1.3 Motores com imã permanete
O campo magnético do estator é produzido por um imã permanente.
1.4 Motores de corrente alternada

Os motores de corrente alternada têm grande uso na indústria, principalmente os motores tri-fásicos de potência relativamente alta. Em robótica, onde geralmente a potência envolvida não é tão grande, eles não são tão populares.

Diferente do motor CC que possui o campo do estator fixo, o campo do estator gira devido à corrente alternada. Isto impõe restrições sobre quais velocidades podem ser usadas num motor AC. O motor AC deve rodar a uma velocidade fixa que é função da freqüência da tensão alternada de alimentação do motor. Para variar a velocidade de um motor AC é necessário alterar a freqüência da fonte de alimentação.

1.5 Motores de passo

Os motores de passo, como o próprio nome sugere, fazem movimentos discretos. Eles têm posições estáveis em ângulos bem definidos. Devido a esta característica, eles têm grande aplicação onde esta propriedade é importante, por exemplo, para movimentar o avanços das folhas ou a posição do cartucho de tinta de uma impressora de jato de tinta.

O motor de passo por não poder desenvolver uma grande potência, normalmente, não tem grande aplicação na automação industrial, mas é muito usado em robótica e em diversos sistemas eletro-mecânicos de baixa potência.

1.6 Servor motores

Na verdade não é uma outra categoria de motores mas um arranjo de motor com sensor de posição e realimentação que é muito usado em robótica e outros sistemas automáticos.

2. Atuadores hidráulicos

Tem como objetivo gerar um movimento que pode ser linear ou axial. Este movimento é provocado pela injeção de um líquido a alta pressão num recipiente perfeitamente selado onde está uma haste ou um eixo, o líquido movimenta a haste ou o eixo.

2.1 Princípio de funcionamento

Lei de Pascal para fluídos incompressíveis, se uma pressão externa é aplicada ao fluído, esta pressão é transferida para todas as superfícies em contato com o fluído sem perda de energia.

Exemplos de atuadores hidráulicos:

A principal vantagem dos dispositivos hidráulicos é poderem entregar uma força (no caso dos pistões) ou um torque (no caso do motores) muito maior do que os seus similares eletro-mecânicos com o mesmo tamanho.

As principais desvantagens são:

3. Atuadores pneumáticos

São os mais simples e mais usados pela indústria. Existem tanto pistões quanto motores. Funcionam como os hidráulicos, apenas, o fluído deixa de ser incompressível e, geralmente, é ar comprimido. Isto aumenta as perdas, mas, por outro lado, não é necessário guardar o fluído, ele pode ser devolvido para a atmosfera, o que simplifica o projeto de sistemas pneumáticos.

Embora não sejam tão precisos quanto os hidráulicos, nem possam gerar tanto torque ou força, ainda assim, são adequados para muitas aplicações industriais.


IV. CLP - Controlador Lógico Programável

História dos CLPs

Na década de 60, a indústria automotiva procurava aumentar o desempenho das linhas de produção: Um grande problema encontrado envolvia o amplo uso de lógica de relés para controlar a linha de produção. Ao se modificar qualquer aspecto da linha de montagem, era necessário refazer uma parte do cabeamento e a lógica de relés. O PLC - Programmeable Logic Controller - foi proposto para substituir este sistema por um sistema mais flexível controlado por computadores. A Divisão Hydramatic da GM determinou os critérios para o projeto de PLCs e a Gould Modicon em 1969 desenvolveu os primeiros PLCs a atenderem os critérios da GM:

Nos anos que se seguiram, foram acrescentadas outras funcionalidades aos PLCs:

Além disso, os PLCs começaram a se comunicar em rede a partir de 1981 e foram miniaturizados em 1982 dando origem a mini e micro PLCs.

Os PLCs de hoje são microcomputadores com entradas e saídas um pouco diferentes das de um PC. No lugar de complexas entradas e saídas como teclado, vídeo, serial, paralela, etc. o PLC tem umas poucas entradas, geralmente digitais, e outras poucas saídas digitais. Alguns PLCs possuem embutidos conversores análogo-digitais, fornecendo canais de entrada analógicos, e conversores digital-analógicos, fornecendo saídas analógica.


Esquema da montagem de Comando Lógico Programável usado no laboratório de CCL.



Ligações dos terminais do CLP na montagem do laboratório.


Paulino Ng<paulinong@mackenzie.com.br>
Last modified: Tue Apr 08 23:49:48 E. South America Standard Time 2003